terça-feira, 19 de julho de 2011

“O Tempo e o Vento”

Êxodo 19:20 – 32 1-14 e 20

“Mais do que a luta de estancieiros pelo poder no sul do país, é uma sutil discussão sobre o significado da existência. Verifica-se isso no confronto estabelecido dentro da narrativa entre duas forças antagônicas: Tempo (passagem, corrosão, desespero) Vento: (repetição, continuidade, permanência) (Prof. Adauto Locatelli UFRGS.)

O povo de Israel enfim acampara no deserto e percebeu que Moisés foi chamado por Deus para um conversa no cume da montanha. 40 dias se passaram e um misto de impaciência (viés temporal) e velhas lembranças (continuidades) ocupavam o ideário daquele povo a ponto de tomarem algumas decisões que trariam sérias conseqüências para suas vidas.

A trajetória do povo de Israel no deserto nos ensina muitas lições, e este texto, em particular, chama a nossa atenção para algumas verdades que precisam ser aprendidas para que possamos ter melhores perspectivas de vida:

1. O tempo de Deus não é igual ao Tempo do homem.

O texto bíblico diz que “... vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte...” (v1). O povo não queria mais esperar. Esquecera do poderoso livramento e dá forte mão abençoadora de Iavé e foram vencidos pela pressão implacável do tempo. E nós? Como somos também suscetíveis à ação do Χρόνος (tempo do homem) e como este comportamento instável e, muitas vezes inconseqüente nos põe em situações, às quais nos arrependemos amargamente. Por que ao invés de nos preocuparmos tanto com o cronos, sua urgência e o seu imediatismo, não nos colocamos à disposição do καιρός (tempo de Deus) e esperamos o agir do Senhor em nossas vidas?

“ESPEREI com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.”

Nesta belíssima poesia, que é o salmo 40, o rei Davi nos ensina sobre as maravilhas de esperar no Senhor e na sua providência. Nunca mais seremos os mesmos se tão somente nos conscientizarmos de que as nossas atitudes precipitadas comprometem o agir de Deus, mas se soubermos esperar, Deus sempre terá o melhor para nós.

2. A tentativa de racionalizar Deus põe em duvida a nossa fé.

A parte “b” do versículo 1 diz que o povo acercou-se de Arão, e disse-lhe: “levanta-te, faze-nos deuses...”. Eles se cansaram não somente de esperar, mas também de esperar por um deus invisível. Eles queriam ver Deus. Tê-Lo ao alcance das suas mãos.

O homem deseja tanto o que é visível, que perde a oportunidade de experimentar o que é espiritual. Muitas vezes, a necessidade voraz de ter algo tangível, que possamos manipular, (E é isso que alguns têm tentado fazer com Deus neste século) nos afasta por completo da noção de valores espirituais e nos leva a eleger outros “senhores” para nossas vidas, nos conduzindo, inevitavelmente ao fanatismo, onde só o homem é glorificado.

“Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé creste; bem-aventurados os que não viram e creram." (João 20: 29)

Estas palavras de Jesus nos mostram o quanto precisamos nos dedicar a expressarmos uma fé genuína que nos aproxime mais de Deus e que nos deixe completamente à mercê dos seus cuidados. Ensina-nos que há riquezas incontáveis, quando fechamos os olhos para o mundo material e abrimo-los para as verdades espirituais que o Senhor reserva para cada um de nós.

3. A pressão das circunstâncias pode nos derrotar.

“... E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de fundição...” Arão se deixou levar pelos anseios e pela pressão daquele povo. Esquecera também do compromisso que tinha com Iavé, e foi vencido

A Palavra de Deus nos mostra a história de grandes homens que também perderam algumas batalhas para a pressão circunstâncias, mas que foram capazes de “dar a volta por cima” e vencer a guerra.

É maravilhoso como as Sagradas Escrituras não esconde estes fatos e nos ensina que mesmo aqueles que pensam estarem mais seguros podem fraquejar num momento de extrema pressão. Abraão X o medo, quando alegou que Sara era sua irmã. Davi X o desejo, quando e se envolveu com a luxúria. Pedro X Covardia, quando negou que conhecia o Senhor Jesus. Todos tinham uma explicação, todos tinham na verdade, uma desculpa. Arão também tinha a sua justificativa. Enquanto o povo dançava e comemorava o “seu deus”, ele tentava convencê-los de que a festa era para o Senhor.

Quais as desculpas que apresentamos a Deus quando nos deixamos vencer pelas circunstâncias? Quais os velhos sentimentos (ventos) têm conseguido nos afastar da adoração ao verdadeiro Deus?

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores." (Salmo 1: 1)

Como precisamos ser firmes neste mundo tão instável e sedutor. Como precisamos estar com a alma de joelhos diante do criador, mesmo que o corpo esteja de pé, para não nos deixar levar por sentimentos, pressões contemporâneas, “amigos” e conselhos vazios, que podem nos impedir de sermos bem-aventurados.

4. O servo de Deus que vê o invisível não é vencido pelas circunstâncias.

Deus queria começar tudo novo em Moisés e pede a ele que não o impeça, ou seja, que não mais interceda por aquele povo. Era uma excelente proposta. Todos os problemas que Moisés tinha enfrentado até ali pela falta de fé daquelas pessoas poderiam terminar naquele momento. Porém o texto bíblico afirma que Moisés não foi egoísta e mais uma vez demonstrou extrema compaixão, intercedeu pelo povo e foi atendido.

Moisés também fazia parte daquele povo. Mais tarde ele também desejará ver Deus, mas não expressando falta de fé ou sentimento de racionalização humana, muito pelo contrário, Moisés fora movido pela comunhão que desenvolvera com Deus na sua jornada diária com o Senhor. Comunhão suficiente para o autor da epístola aos Hebreus declarar que ele “ficou firme, como vendo o invisível.”

Moisés também partiu para ação, e o verso 20 nos mostra que ele elimina a presença do mal do meio do seu povo e restabelece a adoração a Deus.

Amados, que possamos nos submeter ao tempo de Deus. Que possamos ser homens e mulheres que tem na oração uma aliada poderosa contra os males do nosso tempo. Que possamos como Moisés, adorar Deus com a fé que vê o invisível. E Que o Senhor do tempo e do vento possa ser o meu e o seu Senhor.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Uma Igreja para o século XXI

Tem sido um desafio muito grande falar sobre a Igreja neste início de século. Até mesmo porque precisamos primeiro definir sobre qual Igreja estamos tentando emitir opinião. Seria a Igreja alicerçada nos pressupostos Vétero-Testamentários mal interpretados, e que só se preocupa em vender títulos mobiliários do “Yavé International Banking”, ou a Igreja que se orienta apenas pelo legado Neo-Testamentário e por sua vez só se preocupa em vender planos de saúde para o “Jesus Christ Medical Center”? Ou vamos falar das Igrejas “Shopping Crente”? Aquelas que tem “produtos” para todos os gostos e que realizam de 5 a 10 cultos por dia para atender a um sem número de adeptos, que até agendam o dia de prestar culto (Se é que não vão assisti-lo).

Nessas Igrejas se exalta a forma e deixa-se de lado a essência. Na verdade não passam de centros culturais ou grandes palcos para exibições. Muitos shows, festas e mega eventos, muitos eventos. Não sei se conseguem transmitir a essência do evangelho, mas com certeza, encontraram um atrativo extraordinário para encher auditórios, salas e galpões. Nessa Igrejas, como diria o pastor Abdoral Fernandes, “o púlpito informa, mas não transforma. Diverte, mas não converte”. Definitivamente é muito difícil comentar a esse respeito.

Mas graças a Deus ainda temos algumas agências do Reino, às quais podemos creditar o esforço pela manutenção da sã doutrina. Talvez estas sejam os últimos “ônibus”(é porque as outras são como táxis onde onde o "cliente" escolhe o caminho) que ainda operam, com capacidade reduzida, tentando levar alguns passageiros ao destino certo. Estou falando da Igreja que não se envergonha do evangelho nem é refém de modelos megalomaníacos de crescimento instantâneo, da Igreja que não alterou a sua forma de culto para agradar grupos, pessoas ou as imposições da pós- modernidade. Falo da Igreja que não está interessada em pregar o chamado “Evangelho Relevante”, aquele que a pessoa entra na Igreja, ouve a pregação, não aceita a Jesus e ainda assim sai feliz.

Entretanto, penso que esta mesma Igreja à qual reputo por representante legítima do Reino de Deus, precisa avançar mais. Não me refiro aqui ao modelo litúrgico ou métodos extraordinários de evangelização, até porque enquanto os líderes vivem em busca de novos métodos, o homem ainda é o método de Deus. Refiro-me à urgente necessidade de romper a inércia do discurso e partir para o Cristianismo prático. O conteúdo dessas Igrejas é muito bom, mas precisam melhorar a linguagem. Assim, considerando que a sociedade do século XXI é extremamente visual, penso que a Igreja terá que ensinar todos os seus congregados a falar em Libras, uma linguagem onde os gestos falam mais do que palavras.