Tem sido um desafio muito grande falar sobre a Igreja neste início de século. Até mesmo porque precisamos primeiro definir sobre qual Igreja estamos tentando emitir opinião. Seria a Igreja alicerçada nos pressupostos Vétero-Testamentários mal interpretados, e que só se preocupa em vender títulos mobiliários do “Yavé International Banking”, ou a Igreja que se orienta apenas pelo legado Neo-Testamentário e por sua vez só se preocupa em vender planos de saúde para o “Jesus Christ Medical Center”? Ou vamos falar das Igrejas “Shopping Crente”? Aquelas que tem “produtos” para todos os gostos e que realizam de 5 a 10 cultos por dia para atender a um sem número de adeptos, que até agendam o dia de prestar culto (Se é que não vão assisti-lo).
Nessas Igrejas se exalta a forma e deixa-se de lado a essência. Na verdade não passam de centros culturais ou grandes palcos para exibições. Muitos shows, festas e mega eventos, muitos eventos. Não sei se conseguem transmitir a essência do evangelho, mas com certeza, encontraram um atrativo extraordinário para encher auditórios, salas e galpões. Nessa Igrejas, como diria o pastor Abdoral Fernandes, “o púlpito informa, mas não transforma. Diverte, mas não converte”. Definitivamente é muito difícil comentar a esse respeito.
Mas graças a Deus ainda temos algumas agências do Reino, às quais podemos creditar o esforço pela manutenção da sã doutrina. Talvez estas sejam os últimos “ônibus”(é porque as outras são como táxis onde onde o "cliente" escolhe o caminho) que ainda operam, com capacidade reduzida, tentando levar alguns passageiros ao destino certo. Estou falando da Igreja que não se envergonha do evangelho nem é refém de modelos megalomaníacos de crescimento instantâneo, da Igreja que não alterou a sua forma de culto para agradar grupos, pessoas ou as imposições da pós- modernidade. Falo da Igreja que não está interessada em pregar o chamado “Evangelho Relevante”, aquele que a pessoa entra na Igreja, ouve a pregação, não aceita a Jesus e ainda assim sai feliz.
Entretanto, penso que esta mesma Igreja à qual reputo por representante legítima do Reino de Deus, precisa avançar mais. Não me refiro aqui ao modelo litúrgico ou métodos extraordinários de evangelização, até porque enquanto os líderes vivem em busca de novos métodos, o homem ainda é o método de Deus. Refiro-me à urgente necessidade de romper a inércia do discurso e partir para o Cristianismo prático. O conteúdo dessas Igrejas é muito bom, mas precisam melhorar a linguagem. Assim, considerando que a sociedade do século XXI é extremamente visual, penso que a Igreja terá que ensinar todos os seus congregados a falar em Libras, uma linguagem onde os gestos falam mais do que palavras.
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